Glosas Hospitalares

Como reduzir glosas hospitalares e evitar perdas no faturamento 

Na saúde suplementar, a sustentabilidade financeira de hospitais e clínicas depende da integração entre as áreas assistencial e administrativa. Quando esses processos funcionam de forma alinhada, a instituição consegue manter um fluxo de caixa mais previsível e uma gestão financeira mais eficiente. 

É por essa razão que as glosas hospitalares (recusas totais ou parciais do pagamento de procedimentos, diárias, taxas, materiais ou medicamentos pelas operadoras de planos de saúde) estão entre os principais desafios para a saúde financeira das instituições. Além de comprometerem a previsibilidade da receita, elas afetam diretamente o fluxo de caixa e a liquidez. 

Durante muito tempo, as glosas foram tratadas apenas como um problema contábil. Na prática, porém, elas costumam ser a consequência de falhas que ocorrem ao longo de todo o ciclo da receita. 

Essas falhas geralmente surgem quando há desencontro entre o que foi realizado na assistência ao paciente, o que foi registrado no prontuário e o que chega ao faturamento hospitalar. Por isso, agir apenas depois que a glosa acontece, recorrendo da negativa, raramente é suficiente para proteger a receita de forma consistente. 

O cenário econômico da saúde suplementar reforça a necessidade de uma abordagem mais preventiva. Nos últimos anos, as operadoras enfrentaram forte pressão financeira, incluindo prejuízos operacionais expressivos, e passaram a tornar as auditorias de contas médicas mais rigorosas. 

Como consequência, hospitais e clínicas convivem com um volume maior de glosas. Essa situação evidencia que investir em uma auditoria hospitalar preventiva não é ser apenas uma atividade de apoio, mas uma estratégia para reduzir perdas financeiras e aumentar a eficiência da gestão. Veja mais no decorrer do texto! 

Qual o impacto financeiro das glosas hospitalares no ciclo da receita? 

As glosas hospitalares afetam diretamente o ciclo da receita e dificultam o planejamento financeiro de hospitais e clínicas. Quando parte dos valores faturados não é recebida, a instituição perde previsibilidade sobre o fluxo de caixa e reduz sua margem operacional. 

Dados do Observatório da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) mostram que o índice de glosa aceita aumentou nos últimos anos. O percentual passou de 3,63% da receita líquida em 2021 para 4,51% em 2022 e, em 2024, a taxa consolidada de glosa aceita chegou a 1,96% da receita bruta proveniente de convênios. 

Esse aumento pesa ainda mais porque muitas instituições já trabalham com margens reduzidas. Quando o recebimento dos valores demora ou parte da receita é perdida, fica mais difícil investir em infraestrutura, tecnologia e melhorias na assistência. 

As glosas também aumentam o Prazo Médio de Recebimento (PMR), o que atrasa a entrada de recursos no caixa. Em 2024, o PMR médio do setor foi de 69,91 dias, embora em anos anteriores o indicador tenha ultrapassado os 76 dias. 

Com menos previsibilidade financeira, hospitais e clínicas perdem poder de negociação com fornecedores de medicamentos e insumos. Além disso, podem enfrentar dificuldades para cumprir compromissos importantes, como o pagamento da folha salarial e dos honorários médicos. 

Indicador (Média Anahp) 2021 2022 2023 2024 
Índice de Glosa Aceita (% da receita bruta) 0,78% 0,94% 1,17% 1,96% 
Prazo Médio de Recebimento (dias) 68,56 73,51 76,38 69,91 
Receita Líquida por Saída Hospitalar (R$) 23.780,47 25.311,65 27.522,61 31.819,80 
Taxa de Ocupação Operacional 75,31% 76,64% 76,85% 78,97% 

Outro impacto importante, mas pouco discutido, é o tributário. Em muitos casos, hospitais recolhem tributos federais, como IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com base no faturamento bruto emitido, mesmo quando parte desse valor acaba sendo glosada. 

Se a glosa se torna definitiva e não há possibilidade de recurso, a instituição pode pagar impostos sobre uma receita que nunca entrou no caixa. 

Quando a auditoria jurídica e tributária atua em conjunto com o faturamento, é possível excluir esses valores da base de cálculo dos tributos. Isso gera economia, reduz perdas financeiras e diminui o impacto sobre a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). 

Quais os principais tipos de glosas hospitalares e como as operadoras as aplicam 

As glosas hospitalares podem ser divididas em três categorias principais. Conhecer as características de cada uma delas ajuda a identificar as causas mais comuns das recusas de pagamento, fortalecer os processos internos e reduzir perdas de receita. 

Também é importante entender algumas práticas adotadas pelas operadoras, já que determinadas formas de aplicação das glosas geram discussões sobre seu impacto na relação contratual com hospitais e clínicas. 

Glosas administrativas no faturamento hospitalar 

As glosas administrativas acontecem por falhas operacionais durante o processo de faturamento. Erros no cadastro do paciente, na admissão ou no envio da fatura eletrônica estão entre as causas mais comuns. Também são as glosas mais fáceis de evitar quando há processos padronizados e validação automática das informações. 

Entre os exemplos mais frequentes estão: 

  • preenchimento incorreto do número do cartão do beneficiário; 
  • ausência da assinatura física ou digital do médico ou do paciente; 
  • erros de digitação em valores ou nos dados do prestador. 
  • Glosas técnicas na auditoria hospitalar 

As glosas técnicas ocorrem quando a operadora questiona a indicação clínica de um procedimento, medicamento ou material utilizado durante o atendimento. 

Nesses casos, a análise costuma depender de auditores médicos ou enfermeiros, já que a decisão leva em consideração a documentação do prontuário e as justificativas clínicas apresentadas. 

Situações comuns incluem: 

  • ausência de evolução de enfermagem que comprove a necessidade da oxigenoterapia; 
  • utilização de órteses, próteses e materiais especiais (OPME) sem justificativa registrada; 
  • relatórios cirúrgicos incompletos ou sem detalhamento da conduta realizada. 

Glosas lineares e retrospectivas 

As glosas lineares são aplicadas em grande volume, geralmente de forma automatizada, sem análise individual de cada prontuário. 

Em muitos casos, as operadoras utilizam justificativas genéricas, como “outros”, para negar o pagamento de materiais de maior valor, itens de uso frequente ou diárias que ultrapassem o tempo de permanência previsto em contrato. 

De acordo com a Federação Brasileira de Hospitais (FBH), algumas dessas práticas são utilizadas para reduzir custos ou adiar pagamentos, criando desequilíbrios na relação entre operadoras e prestadores. Entre elas estão: 

  • Glosa de documento enviado: a operadora informa que não recebeu guias que já haviam sido protocoladas, gerando retrabalho para a equipe administrativa. 
  • Glosa técnica sem fundamentação: procedimentos de maior complexidade são recusados com justificativas superficiais, exigindo recursos e revisões que aumentam o custo operacional. 
  • Glosa de procedimento pré-autorizado: mesmo após a autorização da operadora, o pagamento é negado posteriormente. 
  • Glosa retroativa: contas já pagas voltam a ser revisadas meses ou até anos depois, comprometendo o planejamento financeiro. 
  • Glosa por alteração unilateral: mudanças em códigos da tabela TUSS são realizadas sem o conhecimento do prestador, dificultando a conferência e a conciliação das cobranças. 

Quais são as causas mais frequentes de glosas hospitalares 

Grande parte das glosas tem origem em falhas que acontecem ao longo do ciclo da receita, principalmente na comunicação entre as equipes e na qualidade dos registros assistenciais. 

Informações incompletas, erros de cadastro e falta de detalhamento no prontuário aumentam as chances de questionamentos pelas operadoras e dificultam a comprovação dos serviços prestados. 

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Enfermagem (REBEN), que analisou cerca de 36 mil itens glosados em hospitais credenciados, identificou os principais pontos de atenção: 

  • Serviços de emergência: índice de glosa de 50,10%, relacionado à alta rotatividade de pacientes e à ausência de registros completos na admissão. 
  • Internações de até um dia: índice de 70,80%, associado à falta de validação das guias de autorização em procedimentos ambulatoriais. 
  • Materiais médico-hospitalares: índice de 59,20%, causado principalmente pela falta de registro de enfermagem sobre a utilização dos materiais. 
  • Glosas administrativas: índice de 54,51%, ligado a erros de digitação e inconsistências cadastrais. 
  • Glosas técnicas: índice de 48,05%, decorrente de questionamentos sobre o uso de antibióticos de alto custo sem documentação clínica suficiente. 

Esses dados chamam ainda mais atenção quando analisados junto ao perfil dos pacientes atendidos pelos hospitais. 

Segundo o Observatório Anahp 2025, as principais causas de internação estão relacionadas às doenças do aparelho geniturinário (10,32%), às neoplasias (10,11%) e às doenças do aparelho digestivo (9,37%). 

Esses tratamentos costumam envolver materiais especiais, medicamentos de alto custo e permanência em terapia intensiva, itens que recebem um nível maior de auditoria por parte das operadoras. 

Por isso, registrar corretamente cada procedimento, material utilizado e medicamento administrado faz diferença. Quando essas informações não estão completas no prontuário, aumenta o risco de glosas técnicas e de perda de receita para a instituição.

Principais motivos para glosas hospitalares

Como reduzir perdas financeiras com a integração entre faturamento e assistência 

Reduzir as glosas começa muito antes do envio da conta para a operadora. Em vez de concentrar os esforços apenas na contestação das recusas, hospitais e clínicas podem diminuir boa parte das perdas ao integrar as etapas do ciclo da receita, desde o atendimento inicial até a conciliação do faturamento. 

Validação da elegibilidade no pré-atendimento 

Antes do atendimento, é importante confirmar se o paciente está apto a utilizar o plano de saúde. A validação automática da elegibilidade ajuda a identificar carteiras suspensas, planos cancelados ou períodos de carência antes mesmo da admissão. 

Com sistemas integrados, essa consulta é feita diretamente na base de dados da operadora, reduzindo erros que poderiam resultar em glosas administrativas. 

Registros completos no prontuário eletrônico 

Durante o atendimento, o Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) tem papel fundamental para reduzir glosas técnicas. 

Hospitais que utilizam sistemas integrados conseguem relacionar prescrições médicas e registros da enfermagem aos códigos de materiais e medicamentos da tabela TUSS. Isso diminui divergências entre a assistência prestada e as informações enviadas para faturamento. 

Auditoria durante a internação 

A auditoria concorrente acompanha o paciente enquanto ele ainda está internado. Com isso, enfermeiros auditores conseguem identificar falhas de registro em tempo hábil e orientar os ajustes necessários antes da alta. 

Além de reduzir o risco de glosas, esse trabalho diminui a necessidade de recursos e revisões depois que a conta já foi enviada à operadora. 

Conciliação eletrônica no faturamento 

Após a alta, a conciliação das contas pode ser feita por meio de arquivos eletrônicos XML, seguindo o padrão TISS definido pela ANS. 

Esse processo permite acompanhar todas as guias transmitidas, identificar rapidamente documentos não processados e evitar perdas causadas por falhas no envio ou no processamento das informações. 

A tecnologia também facilita a integração de todas essas etapas. O Ciclo da Receita da Bionexo Tasy reúne em uma única solução os processos de elegibilidade, autorização, otimização de contas, fechamento, transmissão do faturamento, conciliação e recursos de glosas. A plataforma é integrada a mais de 200 operadoras e compatível com Tasy, MV e outros ERPs hospitalares. 

Os resultados aparecem na prática. No HCOR, 80% das autorizações já são automatizadas e mais de 26 mil contas são conciliadas por mês, aumentando a previsibilidade do fluxo de caixa. No Hospital do Câncer, o tempo de fechamento das contas caiu de quatro horas para 30 minutos. 

Se a sua instituição ainda trata as glosas como um problema restrito ao faturamento, vale conhecer o Ciclo da Receita da Bionexo Tasy. Agende uma demonstração e veja como um fluxo integrado pode ajudar a reduzir perdas e aumentar a previsibilidade da receita. 

Indicadores para acompanhar as glosas hospitalares 

Acompanhar alguns indicadores de forma contínua ajuda a medir o impacto das glosas sobre a receita e identificar oportunidades de melhoria nos processos de faturamento. 

Os principais indicadores são: 

  • Taxa de Glosa Inicial: percentual do faturamento recusado pela operadora. 
  • Taxa de Reversão de Glosas: percentual dos valores recuperados após recursos. 

DSO (Days Sales Outstanding) ou Prazo Médio de Recebimento (PMR): tempo entre a prestação do serviço e o recebimento do pagamento. 

Margem EBITDA: indicador da rentabilidade operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. 

A comparação entre boas práticas e processos predominantemente manuais mostra como esses indicadores podem variar. 

KPI Meta de excelência Realidade em processos manuais 
Taxa de Glosa Inicial menor que 3,00% do faturamento 10,00% a 20,00% do faturamento 
Taxa de Reversão de Glosas maior que 40,00% de recuperação menor que 20,00% de recuperação 
DSO / PMR menor que 60 dias maior que 76 dias 
Margem EBITDA 12,00% a 18,00% menor que 8,00% 

Em hospitais de médio e grande porte, acompanhar esses indicadores manualmente costuma exigir muito tempo e aumenta o risco de falhas. 

Por isso, muitas instituições utilizam ferramentas que automatizam a revisão das contas antes do envio às operadoras. A LIA (Agente de IA da Bionexo Tasy), por exemplo, analisa as contas antes do envio às operadoras, identifica inconsistências que podem gerar glosas e sinaliza pontos que precisam de revisão pela equipe.  

Dessa forma, o hospital consegue corrigir falhas antes do faturamento e reduzir perdas evitáveis. 

A transformação digital também mudou a forma como hospitais e clínicas lidam com as glosas. Hoje, tecnologias voltadas ao faturamento e à auditoria ajudam a identificar falhas antes do envio das contas, automatizar processos e reduzir perdas financeiras. 

Veja algumas das principais tendências. 

Auditoria preventiva no faturamento hospitalar 

Os sistemas de faturamento passaram a incorporar regras de validação configuradas de acordo com o contrato de cada operadora. 

Antes de gerar o arquivo XML no padrão TISS, o sistema verifica, por exemplo, se o código TUSS está correto, se determinado procedimento exige documentação complementar ou se algum item não faz parte da cobertura do plano de saúde. 

Ao identificar essas inconsistências antes do envio da conta, é possível reduzir significativamente as glosas administrativas. 

Inteligência artificial na análise de contas hospitalares 

A inteligência artificial também vem sendo aplicada ao Revenue Cycle Management (RCM) para apoiar a análise das contas hospitalares. 

Essas soluções avaliam o histórico de pagamentos e glosas das operadoras para identificar padrões que costumam resultar em recusas. Com base nessas informações, cada conta recebe uma classificação de risco, permitindo que a equipe revise os casos mais críticos antes do faturamento. 

Esse processo ajuda a evitar erros recorrentes e aumenta as chances de aprovação das contas. 

Automação na conciliação e nos recursos de glosas 

Ferramentas de automação robótica de processos (RPA) também têm reduzido o trabalho manual das equipes de faturamento. 

Esses robôs acessam automaticamente os portais das operadoras, baixam demonstrativos de pagamento, identificam glosas e organizam as informações para análise. 

Em alguns casos, a tecnologia também auxilia na elaboração dos recursos, preenchendo documentos padronizados e anexando automaticamente os registros necessários do prontuário. 

Modelos de remuneração baseados em valor 

Outra tendência é a adoção de modelos de remuneração baseados em valor, incentivados pela ANS e por entidades do setor. 

Em vez do pagamento por procedimento (fee-for-service), esses modelos consideram pacotes assistenciais, como os baseados em DRG (Diagnosis Related Groups), ou linhas de cuidado completas. 

Como os valores são definidos para todo o tratamento, há menos discussões sobre cobranças individuais de materiais, medicamentos e diárias, o que também contribui para reduzir parte das glosas. 

Recomendações estratégicas para reduzir glosas hospitalares 

As glosas hospitalares são consequência de falhas que podem ocorrer em diferentes etapas do ciclo da receita, desde a admissão do paciente até o faturamento. 

Por isso, reduzir essas perdas depende de um trabalho integrado entre as equipes assistenciais e administrativas, com processos bem definidos e maior controle sobre as informações registradas ao longo do atendimento. 

Algumas medidas fazem diferença nesse processo: 

  • investir em auditoria concorrente para identificar falhas durante a internação; 
  • melhorar a qualidade dos registros clínicos; 
  • integrar os processos assistenciais e administrativos; 
  • automatizar etapas como validação, faturamento e conciliação; 
  • utilizar tecnologias como inteligência artificial e RPA para apoiar a análise das contas com maior risco de glosa. 

O Ciclo da Receita da Bionexo Tasy reúne essas etapas em uma única plataforma, ajudando hospitais a reduzir glosas, aumentar a previsibilidade da receita e tornar o faturamento mais eficiente. 

Se você quer entender como isso pode funcionar na prática, agende uma demonstração e conheça a solução. 

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